Comunicado do executivo da DORS do PCP



Perante a afirmação do Primeiro Ministro de que tinha chegado “a hora”, de Setúbal aguardou-se com expectativa sobre quais seriam as novidades que o Governo daria a conhecer durante os dois dias que iria estar no Distrito. Nomeadamente no que respeita a questões estruturantes para o desenvolvimento e progresso da Península de Setúbal.

Afinal, esta visita do Governo PS a Setúbal, não passou de mais um desfile de vaidades ministeriais, numa corrida de promessas, muitas delas já feitas e não cumpridas, e outras em que fizeram mesmo o oposto do que prometeram. Como é exemplo a promessa do Ministro da Saúde aquando da visita em Fevereiro ao Hospital São Bernardo, em que se comprometeu a não encerrar nenhuma valência e, semanas depois, a Urgência de Pediatria passou a encerrar aos fins de semana de 15 em 15 dias.

Apenas mais três exemplos do largo conjunto de promessas não cumpridas ao longo de anos por parte de Governos do PS:
- Terceira travessia do Tejo – Obra estruturante para o desenvolvimento da Península repetidamente prometida e até anunciada em várias campanhas eleitorais. Durante os dois dias que o Governo esteve no distrito nem uma palavra sobre a terceira travessia do Tejo. Até chegaram a solicitar que não se falasse disso na visita.
- Hospital no Seixal – Anunciado por vários Ministros ao longo dos tempos. Chegaram mesmo a afirmar no Seixal “É desta!”. Todos sabemos a importância que tem para centenas de milhares de utentes, mas o Partido Socialista não lhe dá essa importância.
- Arco Ribeirinho Sul – Tantas vezes anunciado até como “O Maior projecto de recuperação de áreas industriais degradadas do pais” como aconteceu em 2009 no Barreiro. Repetiu-se a proclamação feita em 2009. Voltou a ser prometida. Conclusão o PS não é de confiança. As promessas que fazem não são para ser cumpridas, de facto chegou a hora para o Partido Socialista vir durante dois dias para Setúbal fazer propaganda eleitoral.

Na opinião do PCP, um plano de desenvolvimento integrado para a Península de Setúbal deve ter em conta entre outros aspectos:

⦁ Retomar e alargar a produção industrial, designadamente nos seguintes sectores, automóvel, construção e reparação naval, metalomecânica pesada, papel, adubos e siderurgia, electrónica, e agroalimentar;

⦁ Elaborar um plano integrado de produção alimentar para dar resposta às potencialidades agrícolas da península, aos produtos de origem da região, à promoção da agricultura familiar e à fixação das populações, que promova o uso racional dos recursos e salvaguarde os solos com aptidão agrícola e florestal;

⦁ Incentivar a reconstituição da indústria conserveira e promoção do consumo e da qualidade das nossas conservas, com rotulagem de origem e certificação de produto de qualidade, e a promoção de outras actividades de transformação do pescado;

⦁ Construir um novo Aeroporto Internacional de Lisboa, no campo de tiro de Alcochete localizado nos concelhos do Montijo e Benavente, a construção da terceira travessia do Tejo, rodo-ferroviária, entre Barreiro-Lisboa, bem como as variantes rodoviárias necessárias;

⦁ Modernizar e desenvolver os portos existentes em Setúbal, Sesimbra e Margem Sul do Tejo e concretizar o projecto do porto de pesca na Trafaria;

⦁ Criar uma rede de ensino superior público alargada e ligada à investigação científica e ao tecido empresarial e a domínios fundamentais da região, potenciadora do desenvolvimento económico da Península de Setúbal;

⦁ Melhorar e desenvolver os transportes públicos, investindo na manutenção das frotas e aquisição de novos navios, comboios e autocarros, e admissão dos trabalhadores em falta em todas as empresas;

⦁ Reforçar o serviço públicos de transportes ferroviárias na linha do Sado, estender o serviço entre Setúbal e Lisboa, às Praias do Sado e à Gare do Oriente, repor o serviço de longo curso entre Barreiro e o sul do país com passagem por Setúbal.

O PCP apela a que se intensifique a luta, por parte dos trabalhadores e das populações, pelos necessários investimentos e concretização de projectos estruturantes para o desenvolvimento da Região e do País.

O Executivo da DORS
3 de Abril de 2023